NRF 2026 — Dia 03: Pagamentos invisíveis, agentic commerce e a era da execução orientada por dados

O terceiro dia da NRF 2026 fechou o Big Show deslocando o debate para as camadas “invisíveis” que realmente sustentam o varejo AI-first: pagamentos,

O terceiro dia da NRF 2026 fechou o Big Show deslocando o debate para as camadas “invisíveis” que realmente sustentam o varejo AI-first: pagamentos, identidade, dados em tempo real, execução omnichannel e disciplina de decisão. A tecnologia aparece menos como vitrine e mais como infraestrutura — aquela que, quando funciona, some da frente do cliente e vira vantagem competitiva silenciosa. O recado final do evento é direto: o varejo não está entrando em uma era “mais digital”. Está entrando em uma era de transações mais transparentes, jornadas mediadas por agentes e gestão baseada em sinais operacionais contínuos

Pagamento virou camada estratégica (e o Brasil está no centro dessa transição)

A Visa trouxe um ponto que interessa especialmente ao varejo brasileiro: o Brasil já opera em um patamar avançado de pagamentos digitais e caminha para uma fase em que pagar será cada vez mais “invisível” — fluido, embutido na experiência e com menos etapas explícitas de checkout. Isso muda o desenho de jornada porque a fricção deixa de estar no “pagar” e migra para confiança, autenticação e consistência de dados ao longo do caminho. 

A tokenização aparece como pilar dessa evolução — não como detalhe técnico, mas como base para segurança, aprovação e experiência. Ao substituir credenciais sensíveis por tokens que só funcionam em um ecossistema específico, o pagamento ganha robustez e reduz vulnerabilidades. E há um dado simbólico para entender a direção: a Visa aponta que a maioria dos checkouts já não depende de digitação manual, porque carteiras digitais e tokenização diminuem etapas — e a próxima onda tende a incluir agentes de IA automatizando partes (ou todo) o processo de pagamento

Agentic commerce: quando a jornada é mediada, a disputa vira confiança + infraestrutura

No Dia 03, o agentic commerce saiu do conceito e foi colocado como uma reconfiguração prática: agentes não ficam só na descoberta — eles avançam para transação, acompanhamento e pós-compra. A pergunta que moveu o painel foi simples e desconfortável: o que muda quando “alguém” compra de verdade em nome do consumidor? A resposta aponta para um período híbrido, com experiências semi-fechadas e supervisão humana, mas com tendência clara de aumento de autonomia conforme confiança e ecossistemas amadurecem. 

Isso conecta diretamente com a ideia do “consumidor AI native”: um consumidor cuja decisão já é moldada por assistentes e sistemas inteligentes — e, por isso, a jornada pode acontecer sem o caminho tradicional (site → busca → checkout). A implicação é profunda: relevância e conversão passam a depender menos do “melhor criativo” e mais de dados consistentes, disponibilidade real, identidade confiável e experiência sem atrito

A execução vira o produto: dados em tempo real, menos atraso entre insight e ação

Se o varejo passou anos construindo capacidade de medir, a NRF 2026 reforçou um novo problema: medir não basta quando a decisão chega tarde. A Adobe apresentou a análise orientada por dados como camada operacional contínua, com unificação de perfis e leitura de anomalias para priorizar o que exige ação. O núcleo não é “ter mais dashboards”, e sim reduzir o tempo entre sinal, interpretação e movimento — uma lógica que conversa diretamente com a pressão por consistência omnichannel. 

No mesmo espírito, um painel de “mitos versus realidade” reforçou um ponto que muita operação sente na pele: dados não eliminam incertezas — e podem virar desculpa para adiar decisões. A conversa trouxe a necessidade de um limiar prático de confiança (decidir com informação suficiente, não perfeita) e de tratar métricas e atribuição como orientação, não como verdade absoluta, especialmente em jornadas fragmentadas. 

Merchandising e curadoria: IA como motor de decisão (sem romantizar “mais sortimento”)

O Dia 03 também mostrou IA entrando no centro de decisões críticas de merchandising, substituindo processos manuais por previsões e otimização financeira. O avanço aqui não está no “modelo bonito”, mas em encurtar ciclos e elevar precisão: menos tempo gasto “montando planilha”, mais tempo definindo escolhas que protegem margem e disponibilidade. 

Na prática, isso conversa com o que o resumo do dia destacou sobre Walmart: ganhos em moda vieram de execução consistente — com curadoria, velocidade e preço sustentados por dados e IA — e não de inflar sortimento sem disciplina. É o varejo tratando exposição como estratégia e execução como linguagem de marca. 

Tecnologia no “invisível”: o caso Taco Bell e o filtro que separa inovação de distração

Entre os cases, a Taco Bell trouxe uma lição madura: nem toda IA na interface do cliente compensa. A empresa relatou ter testado assistentes de voz em centenas de unidades e, depois, desacelerado a expansão ao perceber que, naquele estágio, o impacto não justificava a priorização. O ponto não é “dar um passo atrás”, e sim reforçar o que apareceu o evento inteiro: AI-first é escolher bem onde a tecnologia realmente reduz atrito e melhora a operação — e muitas vezes isso acontece nos bastidores. 

Atenção, retail media e loja física: performance precisa sobreviver ao mundo real

Gary Vaynerchuk colocou o tema “atenção” como métrica central em um ambiente “TikTokificado”, onde relevância é volátil e o conteúdo cresce mais rápido do que a capacidade humana de consumir. Isso empurra marcas e varejistas para velocidade, leitura cultural e consistência — mas também amplia o custo do ruído: quando tudo disputa atenção, a confiança vira ativo ainda mais raro. 

Do lado de retail media, o debate foi pragmático: a primeira “crise econômica” do canal funciona como teste de maturidade. Varejistas falaram sobre escala via self-service, decisão algorítmica em milissegundos e uso mais inteligente de dados de compra — mas com um alerta implícito: retail media só se sustenta se respeitar experiência e essência da marca, não como “inventário de banner”. 

E, na loja física, a “economia de experiência” apareceu como caminho para converter relevância cultural em conversão: in-store media, conteúdo digital e design de experiência entram como elementos estruturais para orientar decisão e transformar o PDV em ambiente mais interativo — mas sempre com a lembrança de que digitalizar a loja não substitui o básico; ele só amplifica o que já é consistente. 

O pano de fundo: consumo resiliente, mas mais desigual — e isso muda o desenho de valor

No fechamento, o evento também reforçou um cenário de consumo fragmentado: crescimento mais forte no topo da pirâmide e comportamento mais orientado a descontos e escolhas táticas em outros grupos, com diferenças por renda e geração. Isso pressiona o varejo a operar com propostas de valor mais claras, arquitetura de preço mais inteligente e execução mais precisa — porque a mesma estratégia não serve para todo mundo quando o consumo se torna mais desigual. 

O Dia 03 amarra uma conclusão que vale ouro para o Brasil: a próxima vantagem não é “ter IA” — é ter execução que sustenta IA. Pagamentos mais invisíveis, jornadas mediadas por agentes e decisões em tempo real só funcionam quando a base é confiável: sortimento bem desenhado, disponibilidade verdadeira, exposição consistente e processos que não dependem de improviso.

É exatamente aqui que Planograma, Trade Marketing e Controle de Validade deixam de ser “rotinas operacionais” e se tornam infraestrutura estratégica: eles produzem consistência no ponto de venda, reduzem ruído entre intenção e compra, protegem margem (perdas/ruptura) e sustentam confiança — que é o ativo que mais pesa quando a jornada passa a ser mediada por sistemas e recomendações.

Se no Dia 01 a NRF cravou “IA como padrão operacional”, e no Dia 02 mostrou “AI-first na prática”, o Dia 03 fecha com a frase não dita, mas evidente: o varejo do futuro será decidido por quem domina as camadas invisíveis da execução e faz isso todos os dias.

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